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Carnaval de Maués e suas estórias

Falar do Carnaval de Maués é começar pelos clubes Guaranópolis, União e Leão. Ambos suportaram até os anos 80 os carnavais de Maués. O Guaranópolis reunia a sociedade (sic) e o União reunia o povão.

No início dos anos 80 surgiram no Carnaval de Maués o Bloco da Saudade e o Bloco das Piranhas do Viracopus e a majestosa Escola de Samba Em Cima da Hora. Surgiu em 1988 a Escola de Samba Unidos do Centro, que três anos depois se tornou na fantástica Campeã Império Verde Rosa. O carnaval até o ano de 87 se resumia então nas duas escolas de samba o grupo uniformizado chamado Bloco da Saudade e o pessoal do Viracopus, também sem sonoridade, passeavam e brincavam pelas ruas vestidos de mulheres.

Em 1988 surgiu o Bloco do Kandiru, que saiu da Avenida Antarctica e passeou pelos bairros de Maués. Pela primeira vez na Terra do Guaraná um caminhão de som (da campanha de Jamico Benchaya a Prefeitura) animava os foliões que se vestiam de amarelo e brincavam em toda cidade, e surpreendendo a todos, desde sexta-feira e todos os dias menos terça que era o dia dos blocos. No ano seguinte, o Prefeito Humberto Mechiles, sob a batuta de Miguel Pacheco, ergueu a Praça do Carnaval na Av. Dr. Pereira Barreto e estimulou o surgimento de mais blocos, criando o concurso e premiação com cerveja. Surgiram então os Bebês na Folia, Bloco da Maresia, etc e o Viracopus se organizou como bloco. Todos saíam em um único dia, segunda-feira, na Pereira Barreto e com o caminhão de som mecanizado da Prefeitura, que se revezava para atender a todos. O Kandiru recusou a participação do concurso e preferiu sair todos os dias, no horário que os foliões quisessem e circulando em toda a cidade. Contou claro com a colaboração da Secretaria de Educação cujo titular é hoje o Prefeito Sidney Leite. O Kandiru sempre inovador trouxe para o carnaval um formato diferente de bloco, com o Rei Kandiru (Tio Barbosa) a Rainha do Kandiru (Lili) e o Xixi da Mula, que nada mais era que uma carroça enfeitada com uma Pipa cheia de caipirinha, que era despejada nos copos afoitos dos foliões e espectadores. O bloco contava com mais de 100 participantes e era aberto sempre com uma faixa de gozação.e um grupo de dançarinas e dançarinos ensaiados pelo professor Jander Paz. Depois de circular nos bairros da cidade entrava na avenida e finalizava em apoteose com uma performance de dança com a música da Bahia, origem do seu fundador, Jorge Luiz da Silva Sales.

As escolas de samba se aperfeiçoaram e mudaram a data do desfile de terça para segunda-feira, favorecendo a participação dos turistas que vinham aos montes brincar a partir de sexta para voltar nos aviões, barcos, iates e no navio Dona Carlota, a partir da tarde de terça feira.
A festa evolui e teve o seu período máximo em folia e presença de turistas e público nos anos de Humberto Michiles, 1º. Mandato de Sidney Leite e o ápice no primeiro carnaval do mandato do Prefeito Carlos Esteves, em fevereiro de 1994. As praias se enchiam de embarcações, vôos de três empresas aéreas lotados, vôos fretados, etc. O carnaval de rua de Maués era o melhor carnaval de rua do Amazonas. O carnaval de blocos na capital ainda engatinhava com os blocos dos sujos.
A partir de 1996 exatamente, começaram os problemas de sonorização, organização, formato do concurso de blocos e atrasos nas liberações de verbas. Neste ano o Bando do Kandiru saiu pela última vez, e sua figura esculpida pelo artista plástico Lúcio Almeida, foi simbolicamente devolvida às águas do Maués-açu.

Houve uma clara decadência da festa e redobrado esforço dos amantes do carnaval para manter a chama da festa. As escolas de samba sobreviveram com sua trajetória original. Os blocos aos poucos foram perdendo seu brilho, por obra de horários, regulamentos e obrigações. Transformaram-se aos poucos em arremedos das escolas de samba, mas sem o brilho delas ou como quadrilhas de S. João perdidas no meio da festa de fevereiro.

A atual administração do carnaval, a Secretaria Municipal tem realizado esforços para recuperar o nosso carnaval sateré, mas hoje os carnavais de blocos em Manaus e Parintins estão fortes e atraem os que antes vinham para Maués. O modelo dos bons carnavais de rua de Maués foram aproveitados por Parintins e Coari.

Agora é esquecer por uns tempos os turistas e se recompor como o melhor carnaval para o público do próprio município. Teremos com certeza neste ano um carnaval simples mais alegre, seguro e muito bonito. Pode ser o recomeço.

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